Janja cobra punição após ter rede social invadida e cita ódio, intolerância e misoginia

Mateus Vargas 29 Maio 2024 | 3min de leitura

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A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, cobrou nesta terça-feira (12) punição ao invasor do seu perfil no X.

A conta foi hackeada na noite anterior e passou a publicar ofensas contra a primeira-dama, além de menções ao escândalo do mensalão e ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

"Na noite de ontem [segunda], os ataques de ódio e o desrespeito que eu sofro diariamente chegaram a outro patamar. Minha conta do X foi hackeada e, por minutos intermináveis, foram publicadas mensagens misóginas e violentas contra mim", afirmou Janja em publicação no Instagram.

A primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, durante evento no Senado Federal - Gabriela Biló - 3.ago.23/Folhapress

O Palácio do Planalto informou que acionou a plataforma e a Polícia Federal, que está investigando o caso por meio da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos. No X, a esposa do presidente possui 1,2 milhão de seguidores.

Por volta das 22h35 desta segunda, a PF informou que, por solicitação da corporação, a plataforma X havia bloqueado o acesso do hacker ao perfil de Janja. Minutos mais tarde, as publicações do perfil da primeira-dama foram apagadas.

A primeira-dama disse que foram feitas posts machistas e criminosas, "típicos de quem despreza as mulheres, a convivência em sociedade, a democracia e a lei".

"Eu já estou acostumada com ataques na internet, por mais triste que seja se acostumar com algo tão absurdo. Mas a realidade é que a internet é um espaço potente para o bem e para o mal. E é comprovado que nós, mulheres, somos as que mais sofrem com os ataques de ódio aqui nas redes. O que eu sofri ontem é o que muitas mulheres sofrem diariamente", afirmou Janja.

A primeira-dama disse ainda que mulheres são vítimas de ataques machistas nas redes sociais e fora delas. "Milhares de mulheres perdem ou até tiram a própria vida a partir de ataques como o que sofri na noite de ontem."

Janja afirmou que a PF e o X foram acionados imediatamente e "estão tomando as devidas providências". "O ódio, a intolerância e a misoginia precisam ser combatidos e, os responsáveis, punidos."

Em nota, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) disse que "repudia veementemente o ataque hacker à conta" da primeira-dama.

"Todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas. Não serão tolerados crimes, discursos misóginos, o ódio e a intolerância nas redes sociais", afirmou ainda.

Ainda na noite de segunda, o ministro da Secom, Paulo Pimenta (PT), afirmou que "os criminosos que participaram deste crime não ficarão impunes".

Líder do governo no Congresso Nacional, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pediu punição ao invasor da conta. "O modus operandi fascista é surpreendentemente previsível na hora de cometer crimes: invadem o perfil de uma mulher admirável como a Janja e postam ataques machistas e misóginos, deixando a digital completa do tipo de gente por trás dos ataques", escreveu o senador nas redes sociais.

A primeira-dama é uma das conselheiras mais influentes do governo e foi apelidada nos bastidores do Planalto de "algoritmo de Lula", por acompanhar assiduamente os debates nas redes e a temperatura em relação a medidas do governo. O presidente não usa celular e é pouco ligado à instantaneidade do noticiário.

No sábado (9), em conferência eleitoral do PT, Janja deu uma declaração que repercutiu entre os bolsonaristas. "O inominável está inelegível, e se tudo der certo, logo ele vai estar...", disse ela, sem completar a frase, mas fazendo o símbolo de cadeia com os dedos em formato de xadrez.

No domingo (10), durante manifestação em Brasília, diferentes parlamentares da oposição discursaram em caminhão de som tendo como mote principal o voto contrário à indicação de Flávio Dino (PSB) ao Supremo —mas também foram alvos Lula, Janja e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. A primeira-dama chegou a ser vaiada.