Cláudio Castro vai propor a Pacheco e Lira 'pacote anticrime' para milícias e tráfico

Malu Gaspar 29 Maio 2024 | 3min de leitura

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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), vai propor aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), um pacote com três leis para combater as milícias e narcomilícias que atuam não só no Rio, mas em vários estados.

A ida de Castro a Brasília é uma tentativa de mostrar uma reação institucional aos ataques de milicianos que incendiaram 35 ônibus, veículos particulares e uma estação do BRT, depois da morte do miliciano Matheus da Silva Rezende, o Faustão.

De acordo com auxiliares de Castro que trabalharam na formatação da proposta, o governador quer convencer o Congresso a aprovar leis que acabem com a progressão de pena para criminosos presos com armas de guerra, que usurpem serviços de concessões públicas como água, luz, transportes e telecomunicações, além dos que estejam presos por lavagem de dinheiro de organização criminosa.

A ideia do "pacote anti-milícia" já foi discutida com o número 2 do Ministério da Justiça, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, e com o secretário nacional de Segurança Pública, Tadeu Alencar, em uma reunião no Rio de Janeiro nesta terça-feira.

A proposta parte do diagnóstico de que o negócio das milícias e das chamadas narcomilícias – resultado da associação com o tráfico – depende da cobrança de taxas dos moradores para o uso de serviços de transporte, gás, água, luz, TV e internet, quase sempre baseados no roubo ou na ocupação ilegal da infraestrutura das concessionárias. Além de compor uma fatia considerável das receitas das quadrilhas, essas atividades também servem para lavar o dinheiro da venda de drogas.

Com a ida a Brasília nesta quarta-feira, Castro também pretende dividir responsabilidades em relação ao cenário de descontrole na segurança pública do Rio.

No início de outubro, três médicos de São Paulo que estavam no Rio para participar de um Congresso foram executados por bandidos enquanto tomavam cerveja em um quiosque na Barra da Tijuca.

A conclusão preliminar da polícia é de que um deles foi confundidos por traficantes do Comando Vermelho que caçavam o miliciano Tairon em meio à guerra por diputa de território na zona oeste do Rio.

Depois do crime, a própria facção criminosa enviou à polícia um recado de que já havia matado os assassinos dos médicos, como punição pelo "erro".

O fato de que a polícia não foi capaz nem de prever e nem de resolver o crime sozinha já é sintomático da gravidade da situação.

Castro, porém, vem argumentando que o combate ao crime organizado não depende apenas dele.

Além dos presidentes da Câmara e do Senado, o governador do Rio vai se reunir no final da tarde com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para discutir um plano para reforçar a vigilância da Marinha sobre a Baía da Guanabara e as regiões portuárias do Rio, e da Aeronáutica sobre os aeroportos.